Sistema
de discagem
Nos primeiros telefones ligados a
centrais automáticas, a discagem de um número era
feita apertando-se um botão várias vezes, sistema que foi
substituído posteriormente pelos discos.
Aperfeiçoamentos do sistema Strowger
Entre 1892 e 1894, Strowger, inventor das primeiras centrais
automáticas, contratou Anthony E. Keith, Frank A. Lundquist e os
irmãos John e Charles Erickson - que não tinham qualquer
relação com o sueco Ericsson - para
ajudá-lo a aperfeiçoar o seu sistema automático. De fato,
foram estas pessoas, e não o próprio inventor que aprimoraram o
sistema, pois em 1896, Strowger teve problemas de saúde, afastando-se da
companhia, morrendo em 1902.
Em 1893, Keith resolveu um dos problemas do sistema: agora, não era mais
preciso apertar um botão ao terminar a conversa, bastava colocar o
telefone no
gancho para enviar um sinal à central telefônica que
fazia o dispositivo de Strowger - a roda dentada
- retornar à posição inicial. Além disso, Keith,
Lundquist e os irmãos Erickson, em 1894, eliminaram a possibilidade de
uma pessoa conectar-se a linhas já ocupadas.
Em 1896, Keith e os irmãos Erickson desenvolveram um sistema que
eliminou também a necessidade de apertar os botões várias
vezes, substituído-os por um sistema que enviava seqüências
de
pulsos do aparelho do usuário para a central: o disco.
Aparelhos telefônicos com sistema de discagem de Strowger:
modelo de 1899 (esquerda) e modelo de mesa, de 1905 (direita)
Detalhes do aparelho de discagem de Strowger, de 1899: disco
externo (esquerda) e mecanismo interno correspondente (direita)
Como funciona...
Quando o disco era girado, produzia uma série de pulsos elétricos
por meio de uma mola que acoplada a ele, acionava duas placas metálicas
que ficavam na parte interna do sistema. Acionadas, as placas que se encostavam
e afastavam sucessivamente, funcionavam da mesma forma que os interruptores de
botão quando pressionados várias vezes.
Para discar, uma pessoa tinha que girar o disco até uma
posição - de um número e soltá-lo. Nesse momento,
uma mola fazia o disco voltar a sua posição inicial,
estabelecendo uma sucessão de contatos elétricos que, enviados
à central telefônica, tinham o mesmo efeito que o produzido no
antigo sistema, quando o primeiro botão era pressionado um determinado
número de vezes. Ao girar o disco pela segunda vez,
repetia-se todo o processo o que equivalia a apertar o segundo botão uma
série de vezes. Além de facilitar a vida dos usuários,
este sistema reduziu também o número de fios que ligavam cada
aparelho à central telefônica e com isso, os custos.
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É exatamente por causa desses discos que foram usados durante quase um
século, que hoje dizemos “discar um número”, embora
grande número dos telefones não possuam mais discos, e sim
teclas.
No mesmo ano em que inventaram o sistema de discagem, o Keith e os Erickson
viram que este sistema possibilitava a ampliação da rede para
1.000 linhas telefônicas. Para isso, decidiram usar dois dispositivos ao
invés de construir um maior. A idéia era simples: as linhas
são divididas em “
troncos”, cada um com 100 linhas. Se cada tronco usasse 10
dispositivos Strowger de 100 posições, seria possível
fazer conexões entre 10 troncos atingindo assim a quantidade de 1.000
linhas.
Seletor de linha (1905) desenvolvido por Keith
Nesse sistema, o primeiro número discado, aciona um seletor simples -
com apenas 10 posições – que estabelece a
ligação com um dos 10 troncos. Ao conectar-se a este tronco, o
aparelho do usuário é ligado a um segundo dispositivo Strowger, e
os dois números discados em seguida, selecionarão a linha exata
com a qual a pessoa deseja falar.
Após a instalação deste sistema, percebeu-se que não
há limites para ele, pois é possível formar 10 grupos de
10 troncos - totalizando 10.000 linhas, por exemplo, introduzindo mais uma
etapa da discagem.
Sistema automático tipo Strowger (passo-a-passo) com várias
etapas. Um telefone é ligado, primeiramente, a um dispositivo que
tem 10 opções. Cada uma delas é ligada a um aparelho tipo Strowger
com 100 ligações. Cada uma dessas 100 ligações pode levar
a um outro aparelho Strowger, e assim por diante
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a
Fundação Telefônica, em 2002)
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