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Dispositivos de aviso: campainhas e similares
Os primeiros telefones foram todos fabricados por Thomas Watson (ajudante de
Graham Bell), como ele mesmo costumava dizer: -“com minhas
próprias mãos”. Após a invenção, ele
retornou à oficina de Williams (onde Bell o conheceu), e passou a
supervisionar a produção, dedicando seu tempo ao
aperfeiçoamento dos aparelhos e à redução de
custos.
Entre maio e agosto de 1877, o telefone sofreu quatro importantes
modificações:
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Forma
De uma caixa grande e desajeitada, semelhante às antigas câmeras
fotográficas, passou a ser um objeto menor e mais prático.
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Campainha
Watson inventou uma série de sistemas de campainha para avisar quando
uma pessoa queria falar.
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Interruptor
Mecanismo acionado que prepara o telefone para fazer ou receber
ligações.
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Gancho
Interruptor que conectava e desconectava o telefone automaticamente.
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De 1877 à 1880, Watson registrou 60 patentes referentes aos
aperfeiçoamentos e acessórios do telefone.
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Primeiros telefones comercializados - 1877. |
Os primeiros telefones comercializados em 1877, pesavam cerca de 5 Kg, pareciam
caixas e ficavam apoiados sobre uma mesa ou outro móvel. Instalados em
lugares distantes - sistema conhecido como ponta a ponta - cada um deles
possuía um dispositivo que funcionava nos dois sentidos: servia tanto
para ouvir, quanto para falar. Ou seja, enquanto uma pessoa falava em um dos
aparelhos, a outra tinha que encostar o ouvido no outro, trocando depois, de
posição.
Como esses telefones funcionavam com energia
eletromagnética, não precisavam de pilhas ou qualquer outro
tipo de energia externa, permanecendo ligados o tempo todo, já que
não havia nenhum tipo de interruptor.
Outra parte do telefone que não existia inicialmente, eram as
campainhas. Imagine como uma pessoa faria para avisar que queria falar com a
outra? A única alternativa, até aquele momento, era ficar
gritando na esperança de que alguém passasse próximo ao
outro aparelho e ouvisse os berros.
Pouco tempo depois, devido a este problema, Williams (dono da oficina onde
Watson começou a trabalhar) descobriu que, ao bater com um lápis
no
diafragma
do aparelho
transmissor,
produzia ruídos fortes no
receptor. Watson
achou o método muito interessante, porém, percebeu que poderia
danificar o aparelho. Inspirado por essa idéia, desenvolveu um sistema
parecido, onde um botão fora da caixa do aparelho, quando pressionado
com o dedo, acionava um pequeno martelo que batia em um ponto do diafragma, sem
danificá-lo, garantindo o bom funcionamento do aparelho.
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Telefone com o "batedor" desenvolvido por Watson (esquerda) e detalhe interno
do dispositivo (direita): um botão que aciona um pequeno martelo.
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O “batedor” de Watson era, certamente, melhor que os gritos ou as
batidas diretas no diafragma, porém, ainda assim tinha um problema:
não conseguia chamar a atenção das pessoas que estivessem
distantes do aparelho. Por isso, Watson resolveu usar um outro tipo de
dispositivo – uma peça do telégrafo
harmônico de Bell -, lembra-se dele? O
telégrafo possuía
eletroímãs
que faziam as lâminas vibrarem, o que gerava um zumbido, certo? Usando um
“zumbidor”, ou como Watson costumava chamar, um
“buzzer”, ligado a uma pilha, seria possível produzir um
ruído que chamasse a atenção de todos. Apesar de terem
sido fabricados alguns aparelhos de telefone com o “zumbidor”, ele
não agradou muito. O som era fraco e bastante desagradável. De
acordo com o próprio Watson, parecia com o ruído de um objeto
duro, sendo passado por um ralador metálico.
O "zumbidor" de Watson
Depois de todo esse processo, Watson desenvolveu um método de aviso,
bastante eficiente, usando a campainha elétrica. As campainhas, que
já eram bem conhecidas e utilizadas em casas e comércios, com as
quais Williams já trabalhava há muitos anos, funcionavam da
seguinte forma: um eletroímã movia um pequeno martelo
metálico (badalo), para um lado e para o outro, batendo em dois gongos
também metálicos, produzindo um som muito forte.
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Campainha utilizada por Watson nos telefones.
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A solução encontrada por Watson criou-lhe outros dois
problemas para resolver: conseguir fornecer uma corrente elétrica
suficientemente forte para fazer a campainha funcionar e usar um único
fio que acionasse a campainha e transmitisse a voz.
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Muitos tubos de comunicação que eram utilizados
na época
da descoberta do telefone (como este) possuíam pequenos sinos,
que eram tocados puxando um cordão. Em alguns casos, eram
utilizadas campainhas elétricas.
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Saiba mais sobre o funcionamento das campainhas-magneto...
Para acionar a campainha, usava-se um tipo de
dínamo,
popularmente chamado de “
magneto”,
que produzia uma corrente elétrica bastante forte fazendo com que as
campainhas soassem. O único problema era que, se essa mesma corrente
atingisse o telefone, poderia danificá-lo, já que este empregava
correntes extremamente fracas. Assim, Watson desenvolveu um tipo de
interruptor, ou
comutador,
que era colocado na caixa dos aparelhos e tinha duas posições: na
primeira, ligava o fio telefônico à campainha e ao magneto, e na
segunda, ao aparelho de telefone propriamente dito. As pessoas deveriam
deixá-lo sempre na primeira posição, assim, quando a outra
pessoa girasse a manivela do magneto, enviaria a corrente elétrica pelo
fio, que seria recebida pela campainha e não pelo telefone. Depois
disso, a pessoa que estivesse telefonando, deveria mudar o interruptor para a
segunda posição. Após ouvir a campainha, a pessoa que
estivesse do outro lado da linha deveria fazer da mesma forma para que pudessem
conversar entre si. Ao terminar a conversa, as duas pessoas precisariam
retornar o interruptor à primeira posição, permitindo que
a campainha pudesse voltar a funcionar.
O uso do interruptor confundia as pessoas, e elas, raramente,
faziam as mudanças necessárias. Assim, era muito comum que uma
pessoa tentasse chamar a outra e não conseguisse, pois a campainha
estava desligada.
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Telefone de 1878, com campainha, magneto
(manivela no centro da caixa) e interruptor manual
(na parte de baixo da caixa)
Diante do fracasso desse sistema, Watson introduziu mais uma
modificação: um dispositivo que mudava, automaticamente, a
conexão da linha entre o telefone e a campainha-magneto. O resultado,
extremamente simples, foi a invenção do “
gancho”
do telefone, usado até hoje nos telefones com fio.
A parte do aparelho usada para falar -
transmissor
- e escutar -
receptor
-, ficava pendurada em um gancho,o
interruptor; ou seja, quando o telefone estava no gancho, o
sistema ligava a linha telefônica à campainha, quando estava fora
dele, o sistema desligava a campainha e conectava a linha telefônica ao
telefone propriamente dito. Isso tornou tudo mais simples, uma vez que, a
única coisa que as pessoas precisavam se lembrar era de colocar o
telefone no gancho.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a
Fundação Telefônica, em 2002)
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