Tubos
de comunicação
Os sons são formados por ondas que, assim como na água, se
propagam para todos os lados e, por isso, tornam-se cada vez mais fracos
à medida em que se afastam do objeto que o produziu.
No entanto, existe um modo de evitar que o som se espalhe: fazendo-o percorrer
um caminho no interior de um tubo.
Ao produzir um ruído em uma das extremidades de um longo tubo - de
plástico, borracha ou metal, com alguns centímetros de
diâmetro - as ondas sonoras passarão por ele sem se dispersar,
mantendo praticamente a mesma intensidade. Se houver uma pessoa na outra ponta
do tubo, a uma distância de 100 metros, por exemplo, ela ouvirá
perfeitamente o ruído que foi produzido, mesmo que não seja alto.
Esta era a base de um tipo de sistema de transmissão mecânica de
voz, já bastante antigo, o tubo acústico, ou de
comunicação, popularmente conhecido naquela época como "porta-voz".
Tubo acústico, ou "porta-voz"
No início do século XIX, usando tubos vazios de encanamento de
água, o físico Biot descobriu ser possível conversar com
uma pessoa, sem alterar o tom da voz, a uma distância de até um
quilômetro.
O "porta-voz" foi muito usado durante o século XIX e início do
século XX na Marinha, para comunicação entre as diversas
partes de um navio.
Tubos de comunicação ("speaking tubes") do século XIX
A parte inicial - lugar onde se falava - e final do tubo - lugar onde se
escutava - eram normalmente feitos de metal. O tubo, em si, era feito de
borracha envolta em lã ou algodão. Para chamar uma pessoa do
outro lado, usava-se um apito que a pessoa soprava na boca do tubo
acústico. Esse som era facilmente ouvido do outro lado, mesmo por
pessoas que estivessem distantes de sua saída.
Os tubos de comunicação usados em escritórios e
residências no final do século XIX possuíam um bocal, preso
à caixa do aparelho onde se falava, e uma espécie de fone preso a
um tubo de borracha para ser colocado no ouvido.
Nas empresas, os tubos acústicos serviam para permitir a
comunicação entre o escritório central e as diversas
partes de uma fábrica, por exemplo.
No final do século XIX, tais aparelhos eram construídos e vendidos
em grandes quantidades, e diversos modelos. Os mais sofisticados contavam com
dois dispositivos, um para falar e outro para ouvir, além de campainhas
que avisavam quando uma pessoa queria falar.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a
Fundação Telefônica, em 2002)
Voltar

|