Inauguração das primeiras Centrais Automáticas no Brasil Década de 1920

05 - Rio de Janeiro


Transcrição de artigo Revista "Sino Azul" - anno 2, dez. 1929, vol. II, nº 24, p.3,4 e 5


"A cidade do Rio de Janeiro, cujos dotes naturaes lhe conferem o privilegio da mais bella capital do mundo, acompanha o progresso geral em todas as suas manifestações, aproveitando os surtos que assignalam as etapas de civilisação para provar a capacidade de trabalho e a orientação dos seus governos.
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Prestigiada, assim, pela elite das populações e pelos Governos, a Companhia Telephonica Brasileria tem estado á vontade para pensar no melhoramento do seu equipamento telephonico, de que a ultima palavra é o systema automatico.

E essa substituição, que com tanto successo foi feita na capital de S. Paulo, acaba de atingir agora a Capital da Republica com a inauguração da primeira estação automatica, parte de um grande projecto de remodelação da rêde telephonica do Rio de Janeiro.
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Em cumprimento ao accordo firmado com a Prefeitura do Districto Federal para reforma da rêde da Capital da Republica, a Companhia Telephonica Brasileira, inaugurará no dia 24 do corrente mez, ás 23 horas e 30 minutos, a primeira estação automatica da cidade. Esta estação, installada no mesmo edifício da estação manual Norte, á rua do Costa nº 69, terá uma capacidade inicial de 6.000 linhas.
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A H. L. Banfill, Engenheiro Chefe, coube a tarefa de inicair o grande empreendimento, coordenando todos os planos já feitos e delineando novos planos exigidos pelo rapido desenvolvimento que vae tendo o Rio de Janeiro. A A. I. Peterson, Sub-Superintendente Geral, a cujo cargo esta a Divisão do Rio, coube a execução de um serviço que , si bem fosse chamado de emergencia, para attender ás necessidades mais urgentes do serviço telephonico no centro commercial da cidade, tinha extraordinaria importancia pela presteza com que devia ser executado e pelas dificuldades em remodelar a rêde de uma cidade de vida intensa como o Rio, justamente em sua zona de maior trafego, não só de vehiculos como de pedestres.

Em principios de Maio do corrente anno foram iniciados os serviços de excavação das ruas, para a abertura de valas por onde deviam passar as linhas de ductos conduzindo os novos cabos. Os trabalhos foram feitos dia e noite, de acôrdo com os planos traçados por A. T. Penna, da Engenharia de Divisão, e com turmas que se revezavam. Valas abertas num dia já no outro appareciam cobertas e com ductos installados. Ruas de grande movimento como Marechal Floriano, Ouvidor e Avenida Rio Branco, foram abertas sem o menor transtorno para o trafego intenso das mesmas.
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Só em Junho começou a chegar o equipamento encommendado para a nova estação automatica á International Standard Electric Corporation, de Bruxelas, Bélgica. Já a esse tempo se achavam no Rio, J. Harms, Installador Chefe da fabrica, com uma turma de installadores dirigida por H. Holgersen, e R. Wetterlind.

Os trabalhos de installação tiveram começo na primeira quinzena de Julho e correram tão intensos que cinco mezes depois começaram a ser feitos os ultimos tests. Nesses trabalhos deve ser tambem incluido o equipamento automatico installado nas estações manuaes, para communicação destas com a estação automatica e vice-versa.
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A. T. dos Santos, Superintendente Commercial, dirigiu todo o serviço de aviso e instrucção aos assignantes e ao publico em geral. A Lista de Assignantes foi preparada e distribuida, para ser posta em vigor apenas em 24 de corrente, a partir das 24 horas.
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